quarta-feira, 17 de março de 2021

PODERÃO SER PRORROGADOS PARA O SETOR CULTURAL, OS BENEFÍCIOS DA LEI ALDIR BLANC

 

Setor da Cultura foi um dos mais atingidos pela Pandemia e pede urgente socorro

Os trabalhadores da cultura beneficiados pela Lei Aldir Blanc podem ter prorrogados o auxílio emergencial e dos prazos relacionados à aplicação e prestação de contas dos recursos. A Lei 14.017, de 2020 foi criada a partir de uma iniciativa do Congresso para socorrer, nos moldes no auxílio emergencial, o setor da cultura, fortemente atingido pela pandemia de covid-19. O total destinado ao seror foi de R$ 3 bilhõe, pagos no ano passado.

PL 795/2021 estende os efeitos da Lei Aldir Blanc. Do senador Wellington Fagundes (PL-MT), o projeto dá a estados e municípios mais tempo para a alocação dos recursos em projetos culturais já aprovados. 

A Lei Aldir Blanc destinou R$ 3 bilhões ao setor na forma de renda emergencial, subsídio mensal para manutenção de espaços e para editais e chamadas públicas, entre outros benefícios, alcançando cerca de 700 mil trabalhadores. Os beneficiários deveriam prestar contas em até 120 dias após o recebimento da última parcela do subsídio.

De acordo com senador, somente o seu estado, o Mato Grosso,  teve 596 projetos aprovados e recebeu R$ 29 milhões. Os benefícios foram liquidados pela Secretaria Estadual de Cultura, Esporte e Lazer em 30 de dezembro do ano passado. Isso significa que os artistas teriam até o final de abril para fazer prestação de contas. 

A proposta estende por dois anos esse prazo, ou seja, até o final de 2022. Além disso, a data limite para a devolução dos recursos não utilizados será prorrogada até dezembro de 2021.

No fim do ano passado, o governo federal prorrogou o prazo de utilização dos recursos para o exercício financeiro de 2021, autorizando que os recursos ainda existentes sejam utilizados no decorrer deste ano, mas apenas para projetos já definidos em 2020.

Pandemia

Para Wellington Fagundes, Lei Aldir Blanc, batizada em homenagem ao escritor e compositor que faleceu de covid-19 em maio de 2020, foi uma “resposta corajosa, contundente e à altura da crise de saúde pública enfrentada”. Fagundes observa porém que a pandemia não acabou e, por isso, o socorro ao setor deve ser reforçado.

“Pelo contrário, [a pandemia] apresenta forte tendência de alta com níveis recordes da média móvel diária de mortes. Espaços culturais continuam fechados, casas de espetáculos têm acesso restrito ou proibido, e trabalhadoras e trabalhadores da cultura continuam em grave situação social e econômica”, diz o senador, que também é relator da comissão temporária que acompanha as medidas de enfrentamento à covid-19. 

Fonte: Agência Senado

Edição da matéria: Severino Antonio - bibiu (Conselheiro Estadual da Cultura - Alagoa Grande, PB - 83-993693233.

sábado, 13 de março de 2021

MORRE ZEZINHO DA BORBOREMA - ÍCONE DA CULTURA POPULAR DO BREJO PARAIBANO

ZEZINHO DA BORBOREMA - ÍCONE DA CULTURA POPULAR

GUARABIRA (PB) – Na manhã deste sábado (13) o coração do poeta Zezinho da Borborema parou e silenciou a voz de um dos ícones da cultura popular da microrregião de Guarabira. O “coco de embolada”, na feira livre e nas emissoras de rádio, levou um duro golpe do machado da morte – do qual a pedreira da vida não aguenta.

José Cosmo Ferreira – seu nome de batismo – , tinha 63 anos e foi vítima de Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico, em sua residência, em Guarabira. Há 11 dias estava internado no Hospital de Trauma de João Pessoa, onde faleceu por volta das 5:30h depois de uma parada cardíaca.

O pandeiro, que deu animação aos versos da voz marcante de Zezinho da Borborema, está de luto. As feiras livres da região sentirão a ausência da sua “pomada milagrosa”. Os microfones das emissoras de rádio não ouvirão mais suas eloquentes canções, como o clássico o “capeta e a caveira”

AVC hemorrágico ou acidente vascular cerebral hemorrágico se dá pelo comprometimento de alguma artéria cerebral. Dizemos que o AVC é hemorrágico quando há o rompimento de um vaso cerebral, ocorrendo um sangramento (hemorragia) em algum ponto do sistema nervoso.


Edição de Severino Antonio - bibiu (83) 9 9369 3233

Fonte: Blog do Cristiano Alves

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

MAIS UM FILME DE SUCESSO PRODUZIDO EM ALAGOA GRANDE, PB

TERRA VERMELHA - PRODUÇÃO GRAÇAS A LEI ALDIR BLANC
 Mais uma pérola cinematográfica é produzida em Alagoa Grande, fruto da Lei Aldir Blanc através de Edital lançado no Município. Trata-se desta feita do curta metragem “TERRA VERMELHA” estrelado pelo artista popular e trabalhador rural, Marcos Antonio Silva com Roteiro e Direção de dois jovens alagoagrandenses apaixonados pela linguagem áudio visual, Allan Marcos e Leonardo Gonçalves.
O FILME RETRATA A DESIGUALDADE REINANTE NO PAÍS

O filme mostra que apesar das autoridades públicas dizerem que não existem pessoas morando em condições precárias e miseráveis e que não existem pessoas morando em casa de barro, esta versão cinematográfica prova que tem gente sim habitando nessas moradas e ocupando beiras de pistas por não terem onde morar apesar dos programas de Governo. Do pesadelo real de uma pandemia global para o lar ancestral de barro. O sonho do homem rural resiste no país da desigualdade e do descaso, é a proposta sinóptica..

A TERRA, O BARRO - A SAÍDA PARA O  EXCLUÍDO

Elenco: Marcos Antônio Silva. Direção / Roteiro: Allan Marcus; Leonardo Gonçalves. Direção de Arte: Allan Marcus; Leonardo Gonçalves; Marcos Antônio Silva. Produção / Montagem / edição de som / Mixagem / finalização de cor: Leonardo Gonçalves. Som Direto: Yan Rodrigues. Transporte: Antonio Luiz Albuquerque (Netinho); Cristóvão Rodrigues; Leonardo Gonçalves. Locutor da vinheta: José Carlos (Pai locutor) Figurantes (em ordem de aparição): Erinaldo Luis da Silva (Neguinho); Mario do Galeto; Alison Oliveira; Antônio Soares da Silva (Carioca).

ALÉM DE TUDO A PANDEMIA AINDA FECHOU MAIS PORTAS

O Curta-metragem “Terra Vermelha” foi totalmente gravado em Alagoa Grande, terra de João Carlos Beltrão, e teve seu lançamento neste sábado (20/02/2021) pela plataforma do You Tube. O mesmo continua no ar ao dispor do telespectador. Assista-o neste site: 

 FILME - TERRA VERMELHA

APERTE O PLAY E ASSISTA O FILME NA ÍNTEGRA


QUEM É LEONARDO GONÇALVES?

Leonardo Gonçalves é Cineasta, nascido na cidade do Rio de Janeiro - RJ em 1991, vive atualmente em Alagoa Grande. Formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal da Paraíba, e Mestre em Comunicação pela mesma instituição. Atual doutorando em Cinema no programa Multimeios da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Possui experiência nas atividades de Roteiro, Direção cinematográfica, de captação e mixagem de Som, e edição/montagem de vídeo para Cinema.

LEONARDO GONÇALVES - VOCAÇÃO DEFINIDA PELO ÁUDIO VISUAL

QUEM É ALLAN MARCOS:

Allan Marcos é Jornalista, Historiador formado pela UEPB; é tambem Condutor de Turismo.  Alagoagrandense, tem atuado em diversas produções de Áudio Visual na região e participado como co-produtor e roteirista em diversos filmes principalmente curta metragem.

ALLAN MARCOS - ATIVISTA CULTURAL COM FOCO NO ÁUDIO VISUAL

Edição desta matéria: Severino Antonio (bibiu) - Ativista Cultural alagoagrandense - Ex-Secretário adjunto da da Cultura de Alagoa Grande, PB - Conselheiro Estadual da Cultura da Paraiba - Radialista e pós graduado em Gestão e Projetos Culturais. - Mais sobre bibiu

Acesse mais Cultura de Alagoa Grande em AFRORRÓ:- MAIS CULTURA DE ALAGOA GRANDE

EQUIPE DE JOVENS QUE TÊM REVOLUCIONADO O ÁUDIO VISUAL DO BREJO

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

JACKSON DO PANDEIRO - ACESSE A OBRA VIRTUAL DESTE GRANDE ARTISTA DA MÚSICA BRASILEIRA

EXPOSIÇÃO DA OBRA DE JACKSON AGORA SE TORNOU VIRTUAL
A exposição itinerante “Jackson é Pop”, do Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), pertencente à Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), ganhou um tour virtual. A Criada pelo staff do Museu em homenagem ao Rei do Ritmo, a exposição que iniciou em Campina Grande, passou por Belo Horizonte (MG), Brasília (DF) e São Paulo (SP), agora vai até o visitante. A produção é da “Forró World Union”, associação cultural sediada na Itália, cujo objetivo é valorizar e difundir o gênero no mundo e conectar empreendimentos culturais internacionais.
JACKSON SEMPRE FOI RESPEITADO PELA NOVA GERAÇÃO

 O projeto de realidade virtual foi feito pelo estúdio “Jacke & Costin” da arquiteta ítalo-brasileira Jessica Jackebed e do maestro ítalo-brasileiro Lucio Constantini. As imagens e a composição delas ficaram a cargo da empresa Tour Virtual 360. Como base utilizou-se a exposição ocorrida no Salão Negro do Senado e pelo Centro Cultural da Câmara dos Deputados. A visita é guiada por um dos curadores da exposição, Sandrinho Dupan, e os textos estão em italiano, português e inglês. 
FOTO RETRATANDO O ÚLTIMO SHOW DE JACKSON

Conforme Sandrinho, a montagem na internet manteve-se totalmente fiel à exposição. Assim, o visitante contemplará a linha do tempo da vida de Jackson desde o dia de seu nascimento até a morte de sua mãe, por exemplo, percorrendo igualmente a ida para João Pessoa, Recife e Rio de Janeiro, o encontro com Luiz Gonzaga no programa de Adelzon Alves, além de períodos turbulentos, como quando quebrou os dois braços. “A ação é de fundamental importância, sobretudo tendo em vista a pandemia e a necessidade de isolamento social”, pontuou Sandrinho. 
GENIVAL LACERDA,  JACKSON DO PANDEIRO E ZÉ CALIXTO

Figuram também documentos, revistas, contratos, fotos históricas, capas de discos, cordéis e uma variedade de utensílios que fizeram parte do cotidiano, seja da vida pessoal ou profissional, daquela que foi a estrela máxima de Alagoa Grande, a exemplo do pandeiro com que se apresentava. É possível ver, ainda, o primeiro disco gravado de Jackson, com o nome completo do autor e, em um desenho, ele deitado numa rede amarrada em dois coqueiros. O compacto trouxe um sucesso retumbante, à época e nos dias de hoje: Sebastiana. 

JACKSON GRAVOU CENTENAS DE MÚSICAS DE MUITO SUCESSO
Além disso, o visitante terá acesso não somente às músicas gravadas, mas a canções autorais, como “Côco do Jacaré”, samba do compositor carioca Geraldo Babão, dedicado a Jackson, e “Estrela do mar”, de Jackson e Nivaldo Lima, canções estas que não entraram no repertório do Rei do Ritmo e consequentemente são desconhecidas do grande público. “Jackson é Pop” tem curadoria de Joseilda Diniz, Chico Pereira, Fernando Moura, Angelo Rafael e Sandrinho Dupan.

ACESSE ESTE SITE PARA VER A EXPOSIÇÃO VIRTUAL DE JACKSON DO PANDEIRO NA SUA TOTALIDADE ORIGINAL: EXPOSIÇÃO VIRTUAL DE JACKSON DO PANDEIRO


EDIÇÃO DA MATÉRIA - Severino Antonio (bibiu do jatobá)
fone-zap:83 - 993693233


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

CANTORIA DE SOLEDADE E ANTONIO COSTA NO CONJUNTO VERA CRUZ, FOI UM SUCESSO

SOLEDADE e ANTONIO COSTA - POESIA, REPENTE e VIOLA
 Aconteceu neste sábado, 30 de Janeiro, na Sede da Associação dos Moradores do Conjunto Vera Cruz, Município de Alagoa Grande, PB, uma grande cantoria de viola estrelada pelos Repentistas Soledade Violeira (Alagoa Grande) e Antonio Costa (Guarabira) numa noite que o ponto alto foi a presença do público, mesmo nestes bicudos tempos de pandemia.

A festa da Viola desta noite teve ainda a participação dos Repentistas Aurenir Caetano (Solânea) e Minervina Ferreira (Alagoa Grande – Cuité).  Foi um encontro de grande Cantadores e Cantadoras que terminou por premiar o público presente com bonitos Improvisos e Canções maravilhosas que tanto tem enriquecido o Cancioneiro Popular Nordestino.

ANTONIO COSTA e AURENIR CAETANO - ESTRELAS DO REPENTE

Observamos no meio do público presente, a Presidente da Associação, Adriana, do casal mais antigo da comunidade, Senhor Antonio da Cerâmica e Esposa, do Conselheiro Estadual da Cultura, Severino Antonio (bibiu) e muitos outros admiradores da autentica poesia popula.

 .Foi uma noite memorável para nossa Cultura.  A poetisa Maria da Soledade que faz dupla com Minervina Ferreira deu um show a parte.  O Poeta Antonio Costa, cantou as mais belas canções que o nosso povo gosta de ouvir e outras que emocionam qualquer plateia como a Canção do Lenço, pedida por vários populares. 

LAURENIR CAETANO e MINERVINA FERREIRA - VETERANOS DA VIOLA
Para repetir o espetáculo, foram anunciadas duas grandes cantorias, uma delas em homenagem ao DIA INTERNACIONAL DA MULHER que acontecerá em Guarabira onde teremos a oportunidade de ver as OITO melhores repentistas do Nordeste, juntas, em uma noite poética que com certeza, ficará na história de nossa Cultura Popular Nordestina.  Aguardem mais informações sobre a citada Cantoria em homenagem as Mulheres.

Edição – Texto – Fotos de: Severino Antonio - bibiu 

Mais sobre a Cultura de Alagoa Grande - acesse: AFRORRÓ

SEU ANTONIO DA CERÂMICA e ESPOSA - CADEIRA CATIVA



domingo, 24 de janeiro de 2021

"HORAS DE LUCIA" FRUTO DA LEI ALDIR BLANC - ALAGOA GRANDE, PB

ATRIZ ANA CRISTINA ESTRELA DO FILME "HORAS DE LUCIA"
 A LEI ALDIR BLANC passou por Alagoa Grande, terra de Jackson do Pandeiro e João Carlos Beltrão, deixando bons frutos e a indicação de que nossa terra é um celeiro de boa Arte e Artistas que sempre que têm oportunidades, deixam brotar marcantes pérolas artísticas e momentos inesquecíveis para com nossos telespectadores.

O Filme Curta-metragem: HORAS DE LÚCIA - de Ary Régis Lima, tendo Ana Cristina Nascimento como Lúcia e Fábio Alves como assistente de direção, é uma destas pérolas que estão a proporcionar á todos que o assistirem, marcantes momentos de quão poderosos são nossos artistas e quão poderosa é a nossa capacidade de fazer e produzir a boa Arte.

BANNER DO FILME "HORAS DE LUCIA"

Horas de Lúcia é um curta-metragem que conta a história de sua personagem título: Lúcia, encenada pela atriz protagonista Ana Cristina, uma mulher que sofre com abusos e violência doméstica de seu marido, encenado pelo ator coadjuvante Fábio Alves, e que vive dilemas, questões e conflitos internos, para além de sua condição de vítima. Lúcia, que vive num estado de completa ausência de si mesma, chegou ao seu limite e precisa encontrar forças para tomar decisões que vão mudar o curso de sua vida, e que, não podem mais serem adiadas. 

A atualidade e relevância de Horas de Lúcia, incidem justamente em trazer à tona um tema universal, muitas vezes naturalizado e invisibilizado como a violência doméstica na nossa sociedade, mas que ganhou, durante a Pandemia, contornos mais dramáticos e acentuados, tendo em vista que as vítimas que já tinham suas vozes abafadas, sob diversos aspectos, agora são submetidas a conviver forçadamente com seus próprios algozes, exacerbando tensões familiares cotidianas. 

A solidão e o fardo silencioso dos dilemas e conflitos internos de uma mulher vítima de violência doméstica. Para além disso, Lúcia chegou ao seu limite e uma decisão precisa ser tomada... É o tema.

O Curta-metragem Hora de Lúcia teve seu lançamento neste sábado (23/01/2021) pela plataforma do Youtube. O mesmo continua no ar ao seu dispor. Assista-o neste site:  

SOBRE ANA CRISTINA: A atriz alagoagrandense Ana Cristina há muito desenvolve e mostra sua arte para Alagoa Grande e para a Paraiba. Primeiro foi na CIA CORPOS, formado em 2002, que teve destaque na I Mostra de Teatro  Estudantil, como grupo de dança contemporânea de Alagoa Grande (2002).  Foi um dos mais atuantes do município naquela época. Participou de todos os festivais em Alagoa Grande, onde apresentou belos espetáculos, recebendo muitos elogios e aplausos da crítica. 

Depois ela participou da formação do grupo de Teatro “A CONDE” onde encenou vários trabalhos sempre recebendo aplauso do público e da crítica.    Agora, ANINHA mergulha numa nova experiência colocando todo o seu aprendizado a serviço da magia da 7ª Arte onde demonstrou que está pronta e acabada para novas oportunidades pois talento, capacidade e encantamentos, Ela tem de sobra indubitavelmente.

 

ANINHA - A RAINHA DO BLOCO "AS VIRGENS DO FREI DAMIÃO"

Edição de Severino Antonio (bibiu) (parte do texto e fotos de arquivo).- https://www.facebook.com/Severino.bibiu

Reportagem original colhida no BLOG DO RILDO – https://www.blogdorildo.com/2021/01/lancamento-do-curta-metragem-horas-de.html?m=1

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

LEI ALDIR BLANC: ONDE ESTÁ O PROBLEMA?

LEI ALDIR BLANC - MUNICÍPIOS DESPREPARADOS
OS MUNICÍPIOS ESTÃO DESPREPARADOS PARA RECEBEREM A LEIS ALDIR BLANC FRUTO DO DESCASO PARA COM A CULTURA
O tema mais comentado atualmente no âmbito da política e gestão cultural é a já famosa lei Aldir Blanc, que permite a transferência de R$ 3 bilhões da União para Estados e Municípios executarem “ações emergenciais” voltadas ao setor cultural, um dos mais afetados pela pandemia do Covid-19.

Essas ações se subdividem em basicamente quatro: renda emergencial para trabalhadores e trabalhadoras da cultura no valor de 600 reais; subsídio de R$ 3 mil a R$ 10 mil para manutenção de espaços culturais; fomento à economia criativa por meio de editais, chamadas públicas etc.; e linhas de créditos com condições especiais para o setor cultural


Como num passe de mágica, a pasta cultural foi colocada no palco principal, em papel de destaque (como sempre deveria ter sido, ressalta-se), responsável por amparar, de forma urgente, um setor que sofre com a necessidade do isolamento social decorrente da pandemia do coronavírus.

Assim, de repente, as secretarias de cultura que, muitas vezes, são também responsáveis pelo esporte, turismo e sabe-se lá mais o que, terão que executar valores nunca antes vistos por essas pastas, acostumadas com orçamentos irrisórios e com sua posição costumeiramente desprestigiada diante das “primas ricas”, como educação e infraestrutura por exemplo.

E não é de se estranhar que Estados e Municípios estejam, agora, quebrando a cabeça para construir uma maneira de executar o recurso que virá. Foram anos a fio de negligência da pasta cultura pelos governantes, de descaso em relação ao Sistema Nacional de Cultura – SNC, de falta de recursos e investimento e, por consequência, de ausência de normas e instrumentos jurídicos de fomento adequados e coerentes com as dores e demandas do setor.

A incompreensão acerca dos direitos culturais, da diferença entre apoiar uma manifestação cultural e fazer uma licitação de obra pública, das peculiaridades da contratação de artistas, grupos e coletivos, da informalidade inerente ao setor, da necessidade de adequar os procedimentos administrativos às especificidades da gestão e políticas culturais parecem ser pontos sensíveis que, agora, emergem nas dificuldades de execução da lei Aldir Blanc.

O Sistema de Informações e Indicadores Culturais é um exemplo. O sistema, que serviria para identificar quem são e onde estão os agentes culturais, apesar de previsto como um dos elementos do SNC, nunca foi implementado como deveria. Tal sistema seria, hoje, fundamental para fazer o dinheiro chegar a quem realmente precisa, evitando a atual corrida para tentar mapear um setor imenso e complexo.

A própria lei federal de regulamentação do SNC, prevista como obrigatória no parágrafo terceiro do art. 216-A da Constituição Federal desde 2012, caso existisse, com certeza minimizaria os problemas encontrados para transferência do recurso da Aldir Blanc para Estados e Municípios, dispondo, de forma prévia, as regras de prestação de contas, de controle e de fiscalização.

O que ocorre, no entanto, pelo total descaso e abandono do SNC durante todos esses anos, é a corrida da União, Estados e Municípios para “trocar o pneu com o carro andando”, em uma luta – bem intencionada – para fazer valer esse recurso tão importante e urgente para o setor.

O problema não é a lei Aldir Blanc. O problema, a meu ver, são os anos de descaso com a gestão e política culturais brasileiras, o que culminou em uma atrofia jurídica-normativa-administrativa nos órgãos responsáveis pela cultura, que encontram imensas dificuldades ao tentar aplicar o dinheiro, esperado, justo e urgente que receberam para amparar a cultura do país.

E espero que a burocracia não impeça que esse recurso chegue – e chegue de forma efetiva, a quem mais precisa.

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*Cecilia Rabêlo, presidente do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais (IBDCult), advogada na área de economia criativa, mestre em Direito, especialista em Gestão e Política Cultura

Edição da Matéria - Severino Antonio (bibiu) - fone - zap: 83 - 99369 3233

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